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Vamos aos Pobres

Vamos aos Pobres

Uma denominação veio para o Brasil e se instalou em Belém do Pará. Eles não vieram para o Sudeste ou o Sul que eram mais desenvolvidos, eles foram aos pobres. Hoje, aquela denominação é a maior do Brasil em todos os sentidos. Deu certo a estratégia deles porque eles entenderam o objetivo do evangelho: PARA OS POBRES. Muitas vezes ‘outros cristãos’ (mesmo que denominacionais) têm muito para nos ensinar ou lembrar o que a Bíblia nos ensina. Muitas vezes nós não temos humildade para aprender. Talvez você não encontre uma passagem dizendo explicitamente que devemos pregar aos pobres e somente a eles, apenas talvez. Certamente pregar somente a eles você não vai encontrar, mas acredito que a estratégia da mensagem é pregar começando pelos pobres. E depois são os pobres que trazem os ricos para a igreja.

O apóstolo Paulo teve uma visão em que um homem suplicava ajuda para eles. Eles também não tinham muitos recursos, mas eles responderam à súplica IMEDIATAMENTE, mesmo com os poucos recursos que eles tinham. A ajuda que eles tinham para dar era o evangelho que respondia àquela súplica, pois eles entenderam que deviam ir à Macedônia pregar a Palavra:

“Durante a noite Paulo teve uma visão, na qual um homem da Macedônia estava em pé e lhe suplicava: “Passe à Macedônia e ajude-nos”. Depois que Paulo teve essa visão, preparamo-nos imediatamente para partir para a Macedônia, concluindo que Deus nos tinha chamado para lhes pregar o evangelho.” (Atos 16:9, 10)

Algum tempo depois de lhes pregar o evangelho e começar uma igreja lá, descobriu-se que aquela igreja era composta de pessoas extremamente pobres, mas eles fizeram algo que eu mesmo não lembro de ter feito uma vez na vida (2 Co 8:1-5). Não que eu não tenha tido oportunidade. Antes disso, houve uma grande fome no mundo e principalmente na Judéia (At 11:28). Os irmãos de Corinto tiveram a ideia de fazer uma grande oferta entre todas as igrejas de Cristo em favor dos pobres (2 Co 8:10), mas os irmãos da Macedônia foram deixados de lado desta oferta entre as igrejas pela lógica de serem extremamente pobres. Eles souberam da coleta e insistiram para participar e ofertaram acima das suas posses (isso que eu nunca fiz ainda). Por que eles deram acima do que podiam? Porque deram primeiro seus corações a Deus, depois a oferta generosa (2 Co 8:5).

Pessoas pobres são mais generosas que pessoas ricas. Quando vamos aprender isso? Em todas as igrejas do mundo pessoas pobres é que ofertam substancialmente, é que fazem a diferença. Outra coisa que aprendi olhando para a minha própria história: pobre não fica pobre para sempre.

Quando meus pais conheceram a igreja eles estava naquela linha de pobreza extrema. A forme batia à porta e morava junto com o pecado que os assediava. A igreja fez toda a diferença em nossas vidas, não porque começamos a receber donativos, pelo contrário, os irmãos nem sequer sabiam de todas as necessidades que tínhamos. Naquela casa realmente houve conversão, mas as coisas ainda faltavam, mas a gente era mais feliz. As coisas mudaram muito na vida dos meus pais com o passar dos anos e hoje todos os filhos deles têm formação superior e vidas estáveis. Isso aconteceu com outras famílias da igreja de Cristo no Cajuru, de onde eu vim e vai acontecer na vida de milhares de pessoas se acreditarmos na Palavra que transforma por inteiro.

É a mulher pobre que nos serve de exemplo e inspiração. Foi aquela viúva pobre que deu 100%, não porque era pouco e não ia fazer diferença mesmo, mas porque ela entendeu a graça de ofertar, segundo Jesus:

“Viu também uma viúva pobre colocar duas pequeninas moedas de cobre. E disse: “Afirmo-lhes que esta viúva pobre colocou mais do que todos os outros.” (Lucas 21:2, 3)

Os Exemplos dos Ricos

Não estou defendendo de maneira nenhuma que devemos nos afastar dos ricos e nem sequer pregar o evangelho para eles. Estou defendendo, sim, que preguemos o evangelho para os que realmente precisam dele, os que querem ouvir e não precisam ser convencidos disso. Os que foram escolhidos por Deus. Vejo que esta mensagem é clara nas páginas do Novo Testamento.

Não é o jovem rico que nos serve de exemplo para seguir a Cristo. Ele realmente queria saber o que fazer para ser salvo. Ele conhecia e obedecia a Palavra de Deus para aquela época, o Velho Testamento. Ele poderia até ser um exemplo nisso para outras pessoas da sua idade e Jesus não contestou suas palavras quando ele se defendeu dizendo ser obediente desde a juventude aos pais e às ordenanças, mas justamente a riqueza que lhe atrapalhava. Depois Jesus diz que difícil um rico entrar no Reino de Deus.

“Jesus respondeu: “Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. Ouvindo isso, o jovem afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas. Então Jesus disse aos discípulos: “Digo-lhes a verdade: Dificilmente um rico entrará no Reino dos céus. E lhes digo ainda: é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”. Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram perplexos e perguntaram: “Neste caso, quem pode ser salvo? ” Jesus olhou para eles e respondeu: “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis“. (Mateus 19:21-26)

Certamente temos exemplos no Velho Testamento de pessoas ricas que foram fiéis, mas a maioria das vezes eles foram abençoados antes de serem ricos por serem fiéis. Exatamente este é o processo que defendo aqui. Primeiro devemos lhes pregar a Palavra, depois eles serão abençoados e, se Deus quiser que se tornem ricos, vão ser uma bênção. O contrário é difícil acontecer. Mas há exceções e “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis“.

Tiago nos alerta sobre dar honra a uma pessoa por causa da sua riqueza e desprezar o pobre. Essas palavras servem para quem está planejando plantar Congregações.

“Suponham que na reunião de vocês entre um homem com anel de ouro e roupas finas, e também entre um homem pobre com roupas velhas e sujas. Se vocês derem atenção especial ao homem que está vestido com roupas finas e disserem: “Aqui está um lugar apropriado para o senhor”, mas disserem ao pobre: “Você, fique de pé ali”, ou: “Sente-se no chão, junto ao estrado onde ponho os meus pés”, não estarão fazendo discriminação, fazendo julgamentos com critérios errados? Ouçam, meus amados irmãos: não escolheu Deus os que são pobres aos olhos do mundo para serem ricos em fé e herdarem o Reino que ele prometeu aos que o amam? Mas vocês têm desprezado o pobre. Não são os ricos que oprimem vocês? Não são eles os que os arrastam para os tribunais? Não são eles que difamam o bom nome que sobre vocês foi invocado? Se vocês de fato obedecerem à lei real encontrada na Escritura que diz: “Ame o seu próximo como a si mesmo”, estarão agindo corretamente. Mas se tratarem os outros com favoritismo, estarão cometendo pecado e serão condenados pela Lei como transgressores.” (Tiago 2:2-9)

O Exemplo de Jesus

Jesus explicitamente veio aos pobres. Ele mesmo declara isso. Jesus veio pobre a ponto de não ter onde nascer. Nada em sua vida era dele. Onde nasceu, onde morou, os peixes e os pães, o barco que usou, o que vestiu e até a cruz. Tudo era emprestado. O que Ele deixou? Um bando de pobres incultos e iletrados para serem suas testemunhas. E foram!

“Jesus respondeu: “Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos vêem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, E AS BOAS NOVAS SÃO PREGADAS AOS POBRES; e feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa”.” (Mateus 11:4-6)

As boas novas devem ser pregadas aos pobres, seguindo as palavras e o exemplo de Jesus. Se hoje nós procurarmos por Jesus, certamente vamos encontrá-lo entre os pobres.

“Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. “Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar? ’ “O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’. (Mateus 25:35-40)

“Mas ai de vocês, os ricos, pois já receberam sua consolação. Ai de vocês, que agora têm fartura, porque passarão fome. Ai de vocês, que agora riem, pois haverão de se lamentar e chorar.” (Lucas 6:24,25)

Vamos aos Pobres!

Enquanto Jesus estava no mundo, deveriam os seus discípulos passar tempo com Ele. Agora, se quisermos passar tempo com Jesus, vamos aos pobres. Uma mulher derramou um perfume muito caro sobre Jesus e começaram a criticar dizendo que, já que ia desperdiçar, poderia ter vendido e dado o dinheiro aos pobres. Por isso Jesus disse:

“Pois os pobres vocês sempre terão consigo, mas a mim vocês nem sempre terão.” (Mateus 26:11)

Sim, se nós realmente queremos ter Jesus, nós ainda temos os pobres e sempre vamos ter. O papel da igreja não é acabar com a pobreza nem sequer buscar justiça social e, sim, pregar a salvação em Cristo Jesus a todos os homens pelo evangelho. Se desejamos ajudá-los, vamos lá! Vamos começar pelo objetivo que resolverá todas as mazelas: vamos atacar em cheio a pobreza espiritual. Enquanto uma pessoa cultiva o pecado, cultiva todas as consequências do pecado, inclusive a pobreza. Claro que tem gente fiel na pobreza também, mas a pior coisa é viver na pobreza neste mundo e, depois, eternamente.

Já que os apóstolos estavam em Jerusalém, Pedro e João deram a destra da comunhão para Paulo e os enviaram aos não judeus com apenas uma recomendação:

“…Eles concordaram em que devíamos nos dirigir aos gentios, e eles, aos circuncisos. Somente pediram que nos lembrássemos dos pobres, o que me esforcei por fazer.” (Gálatas 2:9,10)

O próprio Jesus poderia ter vindo para os sábios e ricos deste mundo, mas Ele escolheu os pobres. Este é o exemplo de Jesus a seguir.

“Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por amor de vocês, para que por meio de sua pobreza vocês se tornassem ricos.” (2 Coríntios 8:9)

Olhando para a igreja, Paulo destaca o que lhes falta. É por intermédio do pobre e necessitado de tudo que Deus mostra a sua grandeza. Se Deus fez uma escolha, e Ele fez, foram as coisas loucas, fracas, insignificantes, desprezadas e as que nada são. Os pobres são bons representantes disso tudo.

“Irmãos, pensem no que vocês eram quando foram chamados. Poucos eram sábios segundo os padrões humanos; poucos eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento. Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Ele escolheu as coisas insignificantes do mundo, as desprezadas e as que nada são, para reduzir a nada as que são, para que ninguém se vanglorie diante dele. É, porém, por iniciativa dele que vocês estão em Cristo Jesus, o qual se tornou sabedoria de Deus para nós, isto é, justiça, santidade e redenção, para que, como está escrito: “Quem se gloriar, glorie-se no Senhor”. (1 Coríntios 1:26-31)

Por Amor aos Pobres

A pregação aos pobres não é num ambiente agradável e confortável, mas em meio ao pecado e sujeira deste mundo literalmente. Precisa fazer por amor, não apenas porque é o ensinamento e a lógica. Quem prega aos pobres com desprezo está agindo mais como Judas que não se importava com eles, mas com o que poderia tirar deles. Parece muito com vários dos nossos governantes que dizem ter tirado milhões da pobreza, mas estavam falando dos milhões e não dos pobres.

“Por que este perfume não foi vendido, e o dinheiro dado aos pobres? Seriam trezentos denários”. Ele [Judas] não falou isso por se interessar pelos pobres, mas porque era ladrão; sendo responsável pela bolsa de dinheiro, costumava tirar o que nela era colocado.” (João 12:5, 6)

Judas é que não está interessado nos pobres. Ele está mais interessado em resultados e números. Ninguém toma o nome de Judas hoje, mas sim o de Cristo, aquele nos faz do pobre rico e herdeiro de uma mansão que o espera.

Tem que ser por amor porque não adianta ser poliglota, ter o dom de profetizar, ter todo o conhecimento e tamanha fé capaz de mover montanhas e dar tudo aos pobres se não for por amor (1 Co 13:1-3)

Conclusão

Uma estratégia planejada e aplicada na igreja de Cristo que não deu certo foi a de plantar Congregações em capitais e no centro da cidade. Aquelas Congregações existem ainda e estão lá como um exemplo para nós. A estratégia explicita era pregar para pessoas de classe média, mas hoje quem sustenta àquelas mesmas Congregações são pessoas pobres. Nunca é tarde para aprender.

Jovens missionários, vão aos pobres! Preguem o evangelho e os ouvidos e corações prontos para a mensagem os esperam! Vocês não vão precisar muitos argumentos sábios segundo este mundo, vão precisar apenas pregar Jesus de uma maneira simples que Ele é. O povo já conhece a admira a simplicidade de Jesus. O evangelista tem que ir onde o povo está. As pessoas não querem ir para um lugar chique no centro da cidade só alguns pregadores e estrategistas querem estes lugares. Elas não vão se sentir bem e também não vão ter recursos para sustentar grandes prédios caros. O trabalho tem que ser simples para também ser auto-sustentável. Igrejas pequenas saudáveis de pessoas pobres e ricas do Espírito Santo serão, em um futuro não muito distante, igrejas prósperas de classe média que vão plantar mais igrejas para quem realmente quer ouvir o evangelho.

Se entendermos por onde começar para ter sucesso e fazer Congregações fortes e generosas, certamente nos serve as mesmas palavras que lemos:

“entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo a muitos; nada tendo, mas possuindo tudo.” (2 Coríntios 6:10)

Vamos aos pobres enriquecê-los da Palavra de Deus.

 

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