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Tradição Bíblica Quase Perdida

Tradição Bíblica Quase Perdida

“Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de seus filhos, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seus corações. Assim o fazia Jó continuamente” – Jó 1:5

Nós que fazemos parte da igreja de Jesus, costumamos olhar com relutância as tradições e normalmente somos um tanto negativos para com elas. Porém, há certas boas tradições que somente por serem tradições às vezes temos a tendência de rejeitá-la. É o caso da tradição católica que a maioria de nós tinha e alguns ainda têm de pedir a benção para os pais. Na realidade, lembro que fomos criados sendo ensinados a pedir a bênção para os pais, tios e avós, sempre que os encontrávamos, quando acordávamos em casa, quando saíamos ou voltávamos. Uma tradição que, infelizmente, nem eu nem meus irmãos mantemos.

Afinal, é bíblico pedir a benção dos pais? Começando no texto que abre este artigo vemos como Jó se preocupava com o bem estar espiritual dos filhos, agindo como sacerdote ao interceder por eles diante de Deus. A Palavra de Deus incentiva a nós, pais, ensinarmos nossos filhos nos caminhos de Deus (Provérbios 22:6). E filhos são bênçãos de Deus e também responsabilidade. Alguém já disse que aos nos presentear com essa bênção, o Senhor está nos dizendo: “cuide deste menino, desta menina para mim”, e isto será durante um bom período de suas vidas. O maior presente de um pai, uma mãe é criar um filho que ama a Deus, que no devido momento se torne um discípulo de Jesus.

Outro exemplo de bênção paterna encontra na Bíblia está em Gênesis 49 quando Jacó abençoa cada um dos seus filhos e o interessante é que cada bênção é profética no sentido de mostrar o futuro de cada filho, bem como de cada tribo do povo de Israel que representava. Ali são bênçãos que tanto abençoam como amaldiçoam cada filho em razão de atitudes destes para com seu pai. Não somente Jacó, mas todos os patriarcas tinham o costume de abençoar seus filhos (Gênesis 27, 48:11-20).

Lembro que meu filho Josué ficou 49 dias na UTI neonatal. Todos os dias, quando eu e minha esposa íamos visita-lo. Fazíamos questão de fazer uma oração colocando nossas mãos em sua cabecinha, rogando a proteção e o cuidado de Deus sobre ele. Ainda hoje, antes de dormir, faço questão de orar com ele e termino abençoando-o, na realidade rogando ao Senhor todas as suas boas bênçãos sobre o meu filho.

O autor de Hebreus, no capítulo 7:7, ao explicar a bênção de Melquisedeque sobre Abraão, aquele figurando o próprio Cristo, diz: “evidentemente, é fora de qualquer dúvida que o inferior é abençoado pelo superior”.

Talvez aí esteja a razão de no passado fazermos questão de sermos abençoados pelos pais e hoje não. Fomos criados num estilo patriarcal, reconhecendo que os pais são superiores por terem mais experiência de vida, portanto mais sabedoria, além de mais força física (experimentamos na prática isso), eles também nos sustentavam, entre outras práticas. Assim encarávamos nossos pais com reverência e respeito. Hoje a sociedade mudou e mesmo nós cristãos às vezes inconscientemente mudamos também. A maioria dos filhos consideram seus pais iguais, quando não inferiores. São quadrados, atrasados, entre outros adjetivos. Assim, para que pedir a bênção de alguém inferior. Portanto, o pedir a bênção representava o respeito que tínhamos por nossos pais.

Talvez, a solução seja voltar a Efésios 6:1-3, que nos ordena a honrar nossos pais e a partir daí, respeitando-os mais, pedindo ou não a sua bênção, teremos uma atitude saudável e cristã para com eles.

“A sua bênção, meu pai, sua bênção, minha mãe…”, façamos questão de sermos abençoados por nossos pais. Abençoemos a nossos filhos.

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