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O Caminho de Emaús

O Caminho de Emaús

“Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isto, é já este o terceiro dia desde que tais coisas sucederam. É verdade também que algumas mulheres, das que conosco estavam, nos surpreenderam, tendo ido de madrugada ao túmulo; e, não achando o corpo de Jesus, voltaram dizendo terem tido uma visão de anjos, os quais afirmam que ele vive. De fato, alguns dos nossos foram ao sepulcro e verificaram a exatidão do que disseram as mulheres; mas não o viram.” – Lucas 24:21-24

Um sonho que durou 3 anos. Aquele jovem carpinteiro, tinha falado palavras que tocara os seus corações, bem como de muitos outros. A esperança de uma vida melhor, talvez livre do domínio romano. Aqueles milagres incríveis: mortos ressuscitados, aleijados curados, cegos enxergando, pães multiplicados…

Jesus tinha se tornado o solo firme onde poderiam pisar. Porém, aquele sonho que, de repente, mostrou ser apenas um sonho e nada mais.

Assim, estavam os corações de Cleopas e seu companheiro de viagem. Sim, Jesus era um bom homem, um profeta, mas não passava disso. Eles se lembravam da maneira indefesa que Jesus se postou diante de Herodes, do Sinédrio e de Pôncio Pilatos – como ficou calado em boa parte do julgamento. Lembravam-se das 7 frases de Jesus na cruz, em especial seu apelo: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Lucas 22).

O que fazer senão voltar para a vida de antes, na cidade de Emaús. Voltar para seus afazeres, sua família e tudo o que tinham deixado para seguir a Jesus.

De repente um estranho se aproxima e os acompanha. – O que vocês estão discutindo no caminho?, pergunta.

Como falar de um assunto que estava doente tanto? Eles não têm como deixar de transparecer a tristeza. Cleopas se admira da ignorância do estranho quanto aos últimos acontecimentos. – Será que você é o único em Jerusalém que não sabe dos acontecimentos dos últimos dias?, pergunta.
– Quais?, responde o estranho viajante.

Ambos despejam toda a tristeza, toda a frustração, toda a falta de esperança diante daquele homem (vs. 19-24). Palavras de pessoas que não mais confiam. Sim, Jesus era um bom homem, um profeta, fez coisas extraordinárias, mas ficou somente nisso.
– Nós “esperávamos” (veja o tempo do verbo). O pretérito imperfeito do indicativo se refere a um fato ocorrido no passado, mas que não foi completamente terminado. Demonstra decepção, frustração, ainda há um pequeno fio de fé, mas ela está morrendo.
– Já faz três dias. Mulheres foram ao sepulcro, não viram o seu corpo, até disseram ter visto anjos, alguns dos nossos foram lá, não viram o corpo.
Sim, havia uma pequena esperança, porém que, aos poucos, ia diminuindo.
– Vocês não entenderam? Vocês são tolos? Difíceis de compreender? Eles ainda não reconhecem que é Jesus quem está falando. O Mestre abre as Escrituras, impressas na sua mente, e pacientemente vai explicando a partir dos livros de Moisés e dos demais profetas que tudo tinha acontecimento de conformidade com o planejado por Deus. O Cristo, antes de ser glorificado, precisava sofrer tudo aquilo.

As palavras de Jesus confortaram aqueles homens. Pedem que ele fique com eles. Permitem que Jesus dirija a oração antes da refeição. Então… Seus olhos são abertos e Jesus desaparece.

“Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?“, pergunta um para o outro no versículo 32.

Eles voltam para Jerusalém, distante 11 km. Algo muito importante está acontecendo. A esperança voltou, a fé se reanima, a boa nova continua sendo boa nova: Jesus ressuscitou! Aleluia!

A história dos dois discípulos indo desanimados para Emaús é repleto de ensinamentos para nós deste lado da cruz, nós que seguimos a Jesus. Vamos a elas?

1. Todos nós, que estamos seguindo Jesus, já passamos, estamos passando ou vamos passar por momentos em que nossa tendência será tomar rumo ao caminho de Emaús. Aquela decepção, aquele momento de tristeza, aquela perda, tudo isso pode nos levar a desejar voltar a Emaús. E o caminho de Emaús representa o retorno ao que fazíamos antes de seguir a Jesus. Caminhamos de retorno a Emaús quando deixamos de seguir os ensinos de Jesus para seguirmos outros ensinos ou ouvir outras vozes. Caminhar para Emaús é fazer as coisas do nosso modo, pois pensamos que o modo de Deus não deu certo, daí a frustração. Na realidade não foram apenas aqueles dois que estavam retornando a Emaús. Maria Madalena se desesperava na entrada do sepulcro, os apóstolos estavam escondidos à porta trancada com medos dos líderes judaicos, Pedro estava sofrendo sua negação. Assim, Emaus é o caminho do desespero, da incredulidade. Eles ouviram de Jesus que haveria a ressurreição, mas o sofrimento os tinha desanimado praticamente acabando com sua fé.

Às vezes uma doença pode fazer a pessoa abandonar Jesus na busca de outros caminhos que lhe garantam saúde, Emaús é o desespero de uma falta de emprego, levando alguém a procurar uma maneira não cristã de ganhar a vida. Emaus também é a estrada da falta de fé e de esquecermos das verdades das Escrituras Sagradas.

Uma pessoa está no caminho a Emaús quando apenas um “fio de fé” o sustenta, o que estava acontecendo com aqueles discípulos. O pretérito imperfeito da fala deles mostra isto. Jesus, para eles, era passado, difícil de aceitar, mas era passado.

2. Quando estamos a caminho de Emaús, podemos ter certeza, o Senhor sempre vai ao nosso encontro.

Ele fez isto com Maria Madalena, com aqueles dois discípulos, com Pedro. Estar no caminho de Emaús às vezes faz parte da nossa condição humana. Todos passaremos. Nesses momentos Jesus vai ao nosso encontro.

Hoje sua maneira de vir ao nosso encontro é mandar ao nosso encontro um dos seus discípulos, um irmão na fé para nos ajudar.

Quantas vezes em meus quase 29 anos de cristão estive rumo a Emaús e quantas e quantas vezes o Senhor enviou um discípulo seu, um cristão, um “pequeno cristo” para animar minha fé.

Jesus nos ama, nossa salvação começa em fé e termina em fé, é de fé em fé (Romanos 1:17). Ele é muito interessado por nós.

3. Somente as Palavras de Jesus para fazer nosso coração arder, a esperança voltar, a alegria e a fé serem renovadas. Jesus faz seus discípulos se lembrarem das promessas, do plano de Deus, encontrados na Bíblia. Hoje não é diferente. Quando estamos sendo animados ou animando um irmão em sua fé precisamos voltar às Escrituras, aquilo que já foi pregado. É algo conhecido, mas que pode cair no esquecimento nos momentos de decepção, quando estamos indo rumo a Emaús. Somente a Palavra do Senhor irá cumprir seu propósito, isto é, nos ensinar, nos repreender, nos corrigir, nos guiar no caminho da justiça. (2 Timóteo 3:16-17).

4. Há uma parte na volta do caminho de Emaús que cabe a nós. Quando estavas próximo de Emaús, Jesus faz menção de ir embora. Ele é contido por seus discípulos que o “constrangem”, isto é insistem para que fique com Eles. A presença e palavras de Jesus foram tão poderosas que eles não queriam que o Mestre fosse embora. No caminho de Emaús, quando alguém mandado por Jesus nos procura para ajudar, nossa parte é humildemente aceitar. É momento de falar sobre nosso fardo, nossas lutas, nossa decepção. Foi o que eles fizeram quando disseram “Fica conosco, Senhor!”

5. A última lição que o caminho de Emaús nos ensina é que devemos ficar pouco tempo nesse caminho. Logo que reconhecem o Senhor, imediatamente eles se levantam e voltam para Jerusalém. Se ficassem ali poderiam pensar que tinham visto apenas uma visão, uma miragem. Assim, quando a Palavra é recolocada no nosso coração nos momentos de desespero e tristeza, quando estamos desanimados, o próximo passo é voltar à Palavra de Deus e, em especial, voltar ao convívio com os irmãos na fé. Conhecemos pessoas e mais pessoas que entraram no caminho de Emaús, Jesus foi ao encontro, essas pessoas não aceitaram e resolveram ficar definitivamente em Emaús, vivendo aquela vidinha de antes, quando ainda não tinham assumido um compromisso com o Senhor.

Qual a conclusão? Teremos nossos momentos de falta de fé, de desesperança. Nesses momentos, vamos lembrar, Jesus ressuscitou, está vivo, cuidando de cada um dos seus seguidores e certamente está presente naquele momento difícil.

Assim, que voltemos à Sua Palavra, aceitemos o cuidado da família de Deus, a igreja e declaremos: “Fica comigo, Senhor”.

Certamente Ele ficará, pois é tão poderoso e também tão amoroso, que cuida de cada um de nós em nossos momentos de Emaús. A Ele seja toda a honra e glória!

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