Cantar de Coração

Primeiro artigo da série para incentivar a igreja cantar melhor

Este é o primeiro artigo da série sobre música vocal num total de 4 artigos.

Conta a história que depois de um curto tempo na Marinha Real, John Newton iniciou sua carreira como traficante de escravos. Certo dia, durante uma de suas viagens, o navio de Newton foi fortemente afetado por uma tempestade. Momentos depois de ele deixar o convés, o marinheiro que tomou o seu lugar foi jogado ao mar, por isso ele próprio guiou a embarcação pela tempestade. Mais tarde ele comentou que durante a tempestade ele sentiu que estavam tão frágeis e desamparados e concluiu que somente a Graça de Deus poderia salvá-los naquele momento. Incentivado por esse acontecimento e pelo que havia lido no livro Imitação de Cristo de Tomás de Kempis, ele resolveu abandonar o tráfico de escravos e tornou-se cristão, o que o levou a compor a canção ‘Amazing Grace’ (em português: “Graça Maravilhosa”).

Todos os seres humanos gostam de música. Música faz parte da natureza humana, mas nem todos nascemos com o dom de cantar, então, se faz necessário aprender algumas técnicas funcionais para adorar a Deus melhor e, quando adoramos a Deus melhor, nós nos sentimos melhor e mais edificados ainda. Louvar a Deus melhor não é cantar profissionalmente, mas se já melhorar o que temos feito, será um grande feito. Se temos dom, sejamos gratos a Deus e coloquemos o dom nas mãos de Deus para que o dom não enferruje e seja para a glória de Deus e edificação do corpo de Cristo. Se não temos dom, precisamos procurar, pedir, buscar e bater na porta de Deus e Ele quer nos dar. Se falta dom, falta oração e falta esforço para adquirir.

Precisamos cantar por vários motivos. Cantar é encher a vida do Espírito, de propósito, para quem canta. O cântico deve ter a função de fazer a pessoa ‘materializar’ o Espírito Santo dentro do seu corpo, de várias maneiras, como veremos a seguir.

Cantar serve para louvar a Deus na presença dos que ainda não fazem parte da igreja e já os ensina a fazer o mesmo (Romanos 15:9-11). “Paulo e Silas oravam e cantavam louvores a Deus” e esta foi a forma que usaram para pregar o evangelho, com as mãos e os pés presos, para os companheiros de prisão e para o carcereiro (Atos 16:22-34). Cantar transmite a palavra de Deus, então, deve nos levar a pensar no que estamos cantando e afirmando através dos cânticos: “cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente” (1º Coríntios 14:15). Através dos cânticos nós abrimos o coração para a Palavra habitar em nós, nos instruir e aconselhar. Mas não é qualquer tipo de música que traz conhecimento, instrução e aconselhamento. Para que tenhamos tudo isso precisamos cantar de coração salmos, hinos e cânticos espirituais:

“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Colossenses 3:16).

Quando cantamos o fenômeno da alegria se multiplica:

“Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores” (Tiago 5:13).

Quando cantar, cantemos em nome de Jesus, este é o sacrifício de louvor:

“Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hebreus 13:15).

Já que é em nome de Jesus, cantar é como uma oração com melodia. Estes são alguns motivos para continuarmos cantando de coração salmos, hinos e cânticos espirituais como temos feito. Já os instrumentos são inanimados.

Nós somos animados (vivificados) pelo Espírito quando cantamos, louvamos a Deus testemunhando para os que ainda não fazem parte da igreja e transmitindo alegria aos de dentro. A igreja é instruída a usar música na adoração, mas você pode pesquisar por si mesmo e verá que o Novo Testamento só instrui sobre música vocal. Cantando transmitimos a Palavra de Deus, nos toca a mente, coração e o espírito; a Palavra habita em nós; instruímos uns aos outros; nos aconselhamos; nos alegramos e oferecemos um sacrifício de louvor através dos nossos lábios. Que os nossos instrumentos para louvar a Deus com música sejam a Palavra, a voz e o coração sincero.

Texto do livro: “Em Verdade e Em Espírito” pg. 41-43