PRECISAMOS FALAR DA BALEIA AZUL

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Precisamos parar de acompanhar a “Lava-Jato” e a “Reforma da Previdência” agora e falar da Baleia Azul. Esta Baleia se infiltrou em nossas notícias e tem deixado os pais de cabelo em pé.

Depois de pesquisar sobre o tema, desejo compartilhar aqui algo que irá nos ajudar a entender o fenômeno e proteger nossas crianças e adolescentes.

O que é o Jogo Baleia Azul?

O Jogo consiste em uma série de 50 “desafios” macabros que são enviados diariamente por um dito “curador”. As tarefas variam em simplicidade e sadismo, como desenhar uma baleia azul numa folha de papel, cortar os lábios, furar a palma da mão repetidas vezes, desenhar uma baleia azul no antebraço com uma lâmina… o desafio final é o suicídio do participante.

Como funciona?

Há duas maneiras de entrar no desafio da Baleia Azul:

A forma mais comum é pelo Facebook e Instagram. O curador, com perfil falso, envia ao jovem uma mensagem direta convidando-o a participar do jogo, já pedindo seu número de WhatsApp para acertar as regras finais. As mensagens são enviadas aleatoriamente, ou seja, não seguem uma lógica e todos os adolescentes estão vulneráveis aos convites.

A outra forma, mais demorada, feita por aquele que procura participar do Baleia Azul: pedir para entrar em grupos fechados no próprio Facebook. Alguns dos grupos já possuem mais de 1,9 mil membros. O alcance do jogo é muito amplo. Nesses grupos, os curadores não procuram o usuário. Sãos os usuários que procuram participar enviando mensagens do tipo “quero jogar, como faço?” ou então “algum curador disponível?”.

Somente aqueles que trocam mensagens aceitando o Jogo, é que passam a receber as regras e desafios. Alguns jovens já recebem mensagens de ameaças coagindo a participar. O Jornal O GLOBO teve acesso à mensagem recebida por um carioca de 22 anos convidando-o para entrar no jogo. No texto, há uma ameaça: “Caso nos bloqueie ou nos ignore, mandaremos seu número a nosso chefe. Ele pegará seus dados e descobrirá seu nome”.

A delegada Fernanda Fernandes, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) fala que o perfil dos participantes da Baleia Azul são adolescentes, entre 12 a 14 anos e com tendência à depressão. Explica que participantes, ao tentarem sair do jogo, são ameaçados virtualmente, inclusive com as famílias envolvidas. No entanto, todas as vítimas que deixaram de participar não mais foram procuradas pelos curadores.

Agora que sabemos do que se trata, vamos A QUEM interessa:
Por incrível que pareça, o foco não é o jogo. O foco é o seu filho!

Existe uma verdade alarmante como pano de fundo: crianças e adolescentes também sentem dores emocionais, vazios, sofrem de depressão, sentem abandono.

Precisamos parar e atentar para o mundo em que os adolescentes estão. De onde vem a insatisfação com a vida? De onde vêm o desânimo, ou o tédio que os fazem entrar num jogo de acabar com a própria vida?

A adolescência é a fase de turbilhão na vida, é nela que acontecem as maiores e mais rápidas mudanças físicas, comportamentais e emocionais – é a fase onde o índice de suicídios é mais elevada. A Psicologia aponta que as ‘estranhezas’ por parte do adolescente, causadas pelas mudanças bruscas, geram uma insatisfação consigo e com o mundo onde vivem. Cabendo ao meio social (família, escola, igreja) proporcionar um ambiente de aceitação para que este jovem seja acolhido e se perceba amado e seguro nas suas ‘estranhezas’.

Não é qualquer criança ou adolescente que irá responder ao chamado de um jogo macabro como esse. A “Baleia Azul” se torna um problema porque atrai as pessoas em estado de vulnerabilidade, que sofrem com o vazio da depressão e da falta de perspectiva.

Não resolve a questão apontar “a falta de Deus” ou a “falta da palmada” como culpados do alcance desse “jogo”. Porque, essas ideias acabam tirando o foco da resolução, acabam fortalecendo a culpabilização do sujeito e o enfraquecimento do poder dos laços de afeto e de confiança, tão fundamentais para a proteção de nossas crianças.

QUAIS AS RECOMENDAÇÕES?

De maneira urgente, as recomendações para as famílias são: monitorar o uso da internet, frequentar as redes sociais dos filhos, observar comportamentos estranhos e, sobretudo, conversar e conscientizar os adolescentes a respeito das consequências desses jogos, que não têm nada de brincadeira. Atenção redobrada com os jovens que apresentem tendência a depressão, pois eles costumam ser especialmente atraídos por jogos desse tipo.

Parece até irônico (e proposital) que a Baleia Azul utiliza como isca dois componentes, que, se forem usados positivamente, envolverão os jovens numa rede de proteção eficaz. Os componentes são “o curador” e as “regras”.

Vou explicar:

Curador é qualquer cidadão que trata das questões do direito em nome de outros que são (ou estão) incapacitados ou imaturos (no caso de menores) para fazê-lo. O curador funciona como um gerente, um administrador dos bens de alguém, zelando pela prosperidade e defesa dos direitos do curatelado.

Crianças e adolescentes precisam de cuidado, de atenção, de direcionamento, de ter um ‘curador’, a figura daquele que cuida, que zela pelos seu bem maior, que é o seu coração, a sua alma.

Regras são as normas, preceitos estabelecidos por uma sociedade, democracia ou instituição que devem ser seguidos pelos integrantes das mesmas.

As regras são base estruturante do sujeito, elas orientam e asseguram para que o indivíduo se adeque ao meio social. Crianças e adolescentes anseiam por regras, limites estabelecidos, que lhes proporcionam uma vida segura.

Percebemos que, atualmente, os pais se eximem da responsabilidade de estabelecer as regras da casa, deixando muitas vezes que os filhos decidam por si só o que querem, acreditando que autonomia se dá mantendo um estilo de vida aleatório e solto. Acredito que, na maioria das vezes os pais sentem medo de serem rejeitados, de não serem amados, medo de traumatizar a criança ao estabelecerem uma hierarquia na família. Por vezes, queremos compensar a ausência através do ‘dar de tudo’. Há também a falta de tempo e energia para o ‘confronto’, já que explicar as regras e insistir nelas leva tempo e desgasta.

Vale salientar que as regras quando são claras, compreensíveis, justas e adequadas à idade, geram autonomia, autoconfiança, discernimento, moderação. A ausência de regras gera a intemperança, desgoverno, excessos.

É importante que acreditemos como pais, educadores, tios, familiares, cristãos, que as regras são boas, estruturantes e necessárias para o crescimento saudável do ser humano. E, assim, exerçamos o nosso papel de curadores dessas crianças que o Senhor confiou a nós para as orientarmos e direcionarmos em exemplo e em amor ao caminho que leva à vida.

Cada membro da igreja deve, por sua vez, estar atento não somente ao seu próprio filho, mas engajado para estabelecer uma rede de proteção e apoio aos pais, aos filhos uns dos outros, de maneira amorosa e fraterna, proporcionando momentos de convivência (comunhão) e alegria, cuidando para estabelecermos um ambiente de segurança, com ouvidos atentos às necessidades emocionais uns dos outros.

Sei que nem todos foram chamados para serem psicólogos, terapeutas. Mas é fato, escrito na Palavra, que o Espírito Santo que habita em cada cristão é o Conselheiro, e Ele nos dará a condição para estarmos sensíveis às necessidades emocionais e psicológicas das nossas crianças e adolescentes.

O trabalho eficaz e com resultados duradouros consiste em olharmos atentamente nos olhos das nossas crianças e adolescentes, para que, juntos, possamos ser capazes de detectar os sinais de vulnerabilidade, depressão ou o sofrimento, quando houverem, pois só assim poderemos cuidar, encaminhar, tratar, curar, sem sermos surpreendidos com qualquer tipo de jogo diabólico oferecido por aí.

Links de esclarecedores:

//oglobo.globo.com/sociedade/o-que-se-sabe-ate-agora-sobre-jogo-da-baleia-azul-21236180

//g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/policia-confirma-que-adolescente-foi-vitima-do-jogo-baleia-azul.ghtml

//g1.globo.com/educacao/noticia/ameaca-de-envenenamento-de-criancas-ligada-ao-baleia-azul-causa-panico-entre-pais.ghtml

//extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/baleia-azul-premio-a-sua-morte-21232957.html

//extra.globo.com/noticias/rio/artigo-sobre-jogo-baleia-azul-somos-convidados-pela-tragedia-social-rever-nossa-conduta-21235761.html

//extra.globo.com/noticias/rio/artigo-sobre-jogo-baleia-azul-somos-convidados-pela-tragedia-social-rever-nossa-conduta-21235761.html#ixzz4epf5WugD

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