Retornando às origens

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Retornei ao Brasil depois de 27 dias em um lugar completamente desconhecido pra mim até o dia 03 de julho quando desembarquei no Aeroporto Internacional de Maputo de onde fiz o caminho inverso.

Sabia que ia encarar desafios, mas nem tanto. Encarei para fortalecer os irmãos na fé e dizer que devem permanecerem firmes. Em relação a eles saí de uma vida de conforto, já conhecia uma vida cheia de dificuldades que vivi no passado.

Mesmo diante de tantas dificuldades desses irmãos, em nenhum momento os vi reclamarem. Talvez aqui cabem a nós refletirem em (1 Pedro 1:22). Também em nenhum momento que passamos as dificuldades juntos vi transparecer tristeza em seus semblantes. Confesso que muitas vezes na vida cheguei a reclamar. Nas condições em que eles vivem pra nós sul-americanos seria motivo de “soltar os cachorros” e chamar por socorro.

O contraste com a vida que hoje levamos, se eu não tivesse me preparado psicologicamente e orado a Deus para me dar forças, as cenas que vi teriam me chocado muito mais do que chocaram, com certeza, eu também teria chorado mais do que chorei.

Chorei no ombro de um irmão ao tentarmos entrar em um local para dar ensinamentos do evangelho e a autoridade local não nos permitiu. Fomos orientados a procurar o Ministério da Justiça, (DAR) Departamento de Assuntos Religiosos e assim retornamos mais de 50 km, naquele momento choramos juntos mesmo diante daquela autoridade.

Chorei quando um dia o irmão me avisou que não tinha o que comer. Quando soube partimos para a cidade fazer compras. Sempre me entristecia ao ver que a família não tem ao menos um fogão, nem mesmo de lenha, os alimentos são cozidos no chão.

Não tem colchões, os adultos e crianças dormem no chão em esteiras e, isso acontece com a maioria dos nossos irmãos em Cristo onde pude conhecer e conviver com eles.

Mesmo diante de todas as dificuldades, o sorriso está sempre estampado no rosto de cada um. Diante de tudo isso, posso dizer sem medo de errar.

SAIREI DE MOÇAMBIQUE, MAS. . . MOÇAMBIQUE NÃO SAIRÁ DE MIM“.
J Araújo