Um chamado para missões transculturais – Parte 2

Parte 2 – Além das montanhas

Filhos da Sua Mao Direita

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.” Isaías 55.8-9

No início da minha caminhada cristã morando em Mococa,  eu congregava com nossos irmãos e, ali eu era instruída a perseverar nos ensinamentos de Jesus. Eu participava das campanhas de evangelização “porta em porta” que a igreja promovia nos bairros.

Eu cresci vendo o exemplo da minha mãe sendo uma cristã fiel e dedicada a Jesus em todo o tempo. Lembro-me de ir com ela estudar a bíblia com algumas mulheres. Eu entendia que um dia eu deveria fazer o mesmo, ensinar a bíblia para pessoas conhecidas e estranhas.

Eu já sabia de côr a passagem bíblica da grande comissão, e também a famosa passagem bíblica de João 3.16. Ambas falam sobre a vontade de Deus em salvar o mundo todo. Entretanto, eu era omissa no que diz respeito a convidar meus amigos a estudarem a bíblia. Confesso que muitas vezes eu queria esconder a minha identidade cristã para ser aceita nos grupos da escola. Eu não recusava entregar os panfletos da igreja as pessoas da rua em uma campanha de evangelização, mas o meu coração estava endurecido para pregar o evangelho dia-a-dia.

O despertar para a ordem de Jesus em pregar o evangelho a todos, aconteceu quando eu tinha 14 anos, após ler o testemunho de uma mulher missionária americana, cuja família havia deixado tudo nos EUA  para ir pregar o evangelho em um dos países da África.

Em seu testemunho a missionária contava sobre as dificuldades de pregar o evangelho naquele país, e também das conversões em secreto que aconteciam, pois o cristianismo era proibido e punido com a  morte. Ao ler aquele testemunho a “minha ficha caiu” e meu coração foi quebrado, ainda mais depois de ter lido que, os pais dela haviam sido mortos pelos habitantes da região onde estavam pregando e, que  mesmo assim, ela continuava o trabalho de ensinar as crianças o caminho de Cristo, sem se quer pensar em retornar para seu país de origem.

Foi neste momento que me conscientizei que a causa de Cristo é tão emergencial e importante quanto foi no início da igreja em Atos e que ainda haviam irmãos passando por muitas dificuldades para pregar o evangelho, sofrendo tanto quanto nossos irmãos do primeiro século.

Neste contexto, várias perguntas sugiram em minha mente: Como posso não ter ânimo para evangelizar as pessoas aqui no Brasil, onde há liberdade para falar de Jesus? Por quê tenho vergonha de falar aos meus amigos sobre Jesus? Quais são as barreiras que estão me empedindo de ser uma cristã autêntica?

Um discípulo verdadeiro de Jesus, faz outros discípulos. Essa é uma afirmação verdadeira e reveladora. Assim, a partir do contato com o testemunho da irmã missionária americana, eu me comprometi em ser um discípulo de Cristo que faz outros discípulos, desejando ser tão comprometida com a evangelização quanto ela.

Um louvor cantado nos cultos me ajudaram ainda mais a refletir sobre a minha omissão do evangelho. O louvor dizia o seguinte: “morri, morri na cruz por ti, que fazes tu por mim?”

Me arrependi por ter me acovardado tanto tempo e comecei a falar de Jesus aos meus amigos e professores da escola e lhes explicar a razão de minha fé. Tendo como base os sofrimentos pela causa de Cristo que eu havia lido da família dos missionários americanos na África, o fato de cassoarem de mim ou me rejeitarem por ser diferente não me afetava mais.

Ao passar dos anos, mais interesse eu tinha em pesquisar sobre missionários cristãos e seus testemunhos. Minha cuiriosidade sobre a coragem e fé dos nossos irmãos no Oriente Médio, África e Ásia me encorajavam a pregar o evangelho na minha cidadezinha. Tão logo, surgiu-me a vontade de ser uma deles.

Foi aos meus 16 anos de idade no Enjoc, acampamento de Jovens da Igreja de Cristo em Belo Horizonte que eu tive meu primeiro contato com irmãos missionários americanos e evangelistas brasileiros que serviam a igreja em tempo integral. Estando ali tive a oportunidade de conversar com alguns deles e ouvir um pouco do trabalho que faziam, aproveitei tembém para falar-lhes sobre o meu interesse em missões evangelísticas para o futuro. Lembro-me de ser por eles muito encorajada a persistir neste desejo.

Mal sabia eu, que o dono da seara já havia preparado todas as coisas.

Recordo-me de um dia estar dentro de minha casa e sentir vontade de ir para a rua e olhar o horizonte, por morar próximo a uma rodovia era fácil avistar as altas montanhas na divisão de estados entre São Paulo e Minas Gerais. Ao olhar atentamente para além daquelas montanhas, inesperadamente ouvi uma voz no meu coração dizer: Te levarei para além daquelas montanhas. Eu simplesmente acreditei e guardei em meu coração as palavras ditas por meu mestre.

Raisa Souza
Sobre Raisa Souza 8 Artigos
Raissa de Souza é obreira em tempo integral é sustentada pela Igreja de Cristo em Campo Grande MS em parceria com a Jocum. É formada em Teologia pela SerCris e em Administração. Tem 25 anos e é natural de Mococa SP, onde frequentava a igreja de Cristo. Hoje serve como missionária na África.