Um Chamado Para Missões Transculturais – Parte 1

Parte 1 – A história da minha conversão

“Porque pela graça sois salvos mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” Efésios 2.8-9

A história da conversão de cada cristão é única e poderosamente eficaz para servir de testemunho vivo sobre a misericórdia e o amor de Deus por todas as pessoas do mundo.

Estando aqui em Malawi há 4 dias antes de iniciar efetivamente meu trabalho como obreira em tempo integral na província de Chimoio no país de Moçambique, tenho recordado todo o trajeto da minha vida com Cristo, e vendo a luz do presente, como de fato, todas as coisas contribuíram para o bem.

Compartilharei a obra de Jesus em minha vida guiando-me a missões transculturais. Minha oração é que de alguma forma meu testemunho possa servir de encorajamento aos irmãos leitores. Eu era uma criança comum com suas dificuldades e alegrias, pertencente a uma família simples de trabalhadores, mas com o privilégio de ter sido levada por minha mãe nas aulinhas bíblicas dominicais desde 1 ano de idade. Eu fui crescendo e aprendendo sobre a vontade de Deus, e sobre o que era correto e o que era errado.

O que ocorreu a mim, foi que mesmo já consciente do bem e o mal, eu decidia intencionalmente fazer o mal e desagradar a Deus. As minhas ações dentro da família era de desobediência aos meus pais; muita mentira; hostilidade e violência com meus irmãos; palavrões e falta de vontade de frequentar os cultos aos domingos. Me recordo de ficar inúmeras vezes com os olhos abertos durante as orações feitas pelos irmãos, julgando ser um tédio estar ali, sempre ouvido a mesma coisa. Eu tinha apenas 8 anos de idade, mas será que sem pecado?

A minha mãe sabiamente usava uma varinha para me repreender, depois de tentativas frustadas de conversas e lembretes sobre obedecer a Deus, mas de nada adiantava. A triste realidade do mundo de hoje é que as crianças cada vez mais cedo tem tido seus corações corrompidos pelo pecado presente no mundo, e deveras tão precocemente tem decidido a desobedecer a Deus.

Me lembro bem o dia em que ouvi a voz de Deus pela primeira vez com clareza e discernimento e senti temor e tremor. Era um dia de domingo comum, e fui com a minha família a noite ao culto. O pregador do sermão, nosso irmão Nélio, falou a cerca da volta de Jesus, e sobre estarmos preparados para quando Ele voltar e a importância da obediência as suas Palavras.

Ao ouvir as palavras do irmão pregador, e as leituras bíblicas, senti uma tristeza profunda ao me lembrar de tudo o que eu estava fazendo em desobedecer a Deus. Neste momento, exposta a realidade do pecado, em que não há perante Deus pecadinhos e nem pecadões, pois para todos os pecados o salário é a morte, senti um peso sobre meu coração e a certeza que eu não queria ir para o inferno, lugar onde segundo a passagem bíblica em Apocalipse 21.8 dizia que eu iria pelas minhas mentiras e tudo mais que eu estava fazendo intencionalmente. Fui realmente convencida dos meus pecados naquele domingo.

Eu que desde muito pequena cantarolava a música infantil: “… mas Jesus pra me deixar limpinho, quer lavar meu coração, quando o mal faz uma manchinha eu sei muito bem, quem pode me limpar, é Jesus e eu não escondo nada tudo ele pode apagar…” agora entendia o seu real sentido e me vi com o coração sujo.

No mesmo dia eu disse para minha mãe que precisava ser batizada. Ela se assustou e disse que ainda não era a hora. Argumentei que a volta de Jesus era certa e Ele poderia voltar a qualquer momento, eu precisava estar pronta. Nos dias decorrentes continuei a incomodá-la com essa questão, até que ela levou o meu caso aos irmãos responsáveis pela congregação para pedir a opinião deles. Para a minha alegria eles concordaram que eu iniciasse um curso bíblico preparatório para o batismo, o famoso, EBP (Estudo bíblico Pessoal). De acordo com eles, a minha mãe e a minha professora das aulas bíblicas deveriam me acompanhar para discernirem a minha real motivação para o batismo.

Estudei a Bíblia continuamente até concluir o curso, durante todo este período os irmãos estiveram me ajudando a entender o compromisso eterno que eu faria com Jesus, e que era a decisão mais importante da minha vida e que precisava ser tomada com seriedade.

Um dos ensinamentos que mais me marcaram neste período de estudo, foi entender que o batismo, consistia não só no perdão dos pecados, como também tornava o meu próprio corpo morada do Espírito Santo. Mesmo com minha pouca idade eu entendi quão especial era está ordem de Jesus, pois o próprio Deus morando dentro de mim, eu realmente seria uma nova pessoa.

Ao completar meus 9 anos de idade, agora com o entendimento da importância do batismo claro em minha mente, eu não queria mais esperar. Jesus havia aberto os meus olhos, ouvidos e coração. Então, depois de mais algumas longas conversas com a minha mãe e os irmãos mais velhos da igreja, foi decido que eu poderia ser batizada.

E lá foram os irmãos em uma perua kombi para ver eu nascer de novo saindo do rio onde fui batizada. Lembro-me como se fosse ontem, num dia frio em 6 de agosto do ano 2000. Foi ali naquele rio do interior do estado de São Paulo, que confessei com a minha boca que Jesus é o meu Senhor e Salvador.

Eu sentia o meu coração leve como uma pena. Eu havia sido enfim perdoada por Jesus. E minha alegria maior era saber que se Jesus voltasse naquele momento eu estaria pronta para ir com Ele. Eu tenho 25 anos agora e ao longo destes quase 17 anos de caminhada com Cristo, não me faltaram dificuldades pelo caminho, nem lutas a travar contra inúmeras tentações. Posso testemunhar por experiência de vida, como de fato, estreito é o caminho para a salvação. Carrego em minha vida as marcas dos tombos provocados pela minha desobediência a Deus, mas também, carrego a certeza que o Espírito Santo habita dentro de mim e Ele sempre me conduz de volta a Cristo e ao arrependimento.

Nesta fase adulta, agora com mais maturidade, reconheço as minhas muitas limitações e dependência da graça de Cristo, e quão importante é que eu conduza as crianças a Ele, como um dia eu fui conduzida.

Raisa Souza
Sobre Raisa Souza 8 Artigos
Raissa de Souza é obreira em tempo integral é sustentada pela Igreja de Cristo em Campo Grande MS em parceria com a Jocum. É formada em Teologia pela SerCris e em Administração. Tem 25 anos e é natural de Mococa SP, onde frequentava a igreja de Cristo. Hoje serve como missionária na África.