Fidelidade, Um Time Campeão

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Quando eu era mais jovem eu gostava mais de futebol. Morando em Curitiba e seguindo a tradição do meu pai, eu torcia para o Coritiba. O Coritiba nunca foi um time expressivo nacionalmente, mas em 1985 o Coritiba conseguiu ser campeão brasileiro contra o Botafogo e o jogo final foi no Maracanã, Rio de Janeiro com um público de mais de 91 mil pagantes.

O clima estava todo a favor do Botafogo como sendo um time mais forte e jogando na sua cidade com a torcida toda à favor. O que parecia difícil aconteceu: o Coritiba foi campeão! O jogo foi dramático terminando em penalidades máximas. Foi o primeiro título de Campeão Brasileiro conquistado por um clube paranaense. Lembro que fiquei muito feliz por meu time ter vencido aquele jogo, a alegria durou cerca de uma semana assistindo as entrevistas, os retrospectos, as exaltações sobre os heróis do jogo, etc. As glórias finalmente caíram sobre os jogadores do Coritiba. Uma semana depois, eu já não tinha mais nada daquela vitória deles em mim. Eu ainda consigo lembrar daquela época, mas hoje acho que foi uma tremenda perda de tempo. Ninguém mais lembra daquele jogo, ninguém nem sequer comenta sobre aquela vitória. De vez em quando me pergunto onde estão aqueles heróis de uma única partida (da final). Caíram no esquecimento. Eu acredito que a maioria das pessoas que lerem este artigo, se lerem, nem vão lembrar ou nunca sequer souberam destes acontecimentos (talvez lembrem os coxa branca). O Coritiba continua sendo um time inexpressivo no cenário nacional quase um túmulo do futebol (me desculpem os coxa branca).

Hoje, mais velho (eu diria mais maduro, mas há controvérsias), já não perco tanto tempo torcendo para um time. Tenho, sim, simpatia ou antipatia por alguns times, mas decidi, por causa de algumas experiências da paixão pelo futebol, deixar isso de lado. Prefiro manter as amizades e a fratarnidade que já são tão difíceis e poucas na minha vida a defender um time de futebol. De vez em quando ainda posso cair em tentação e discutir sobre algo que não tem valor nenhum no final das contas. Quantas vezes briguei no futebol e até parti para a agressão contra meus colegas e até meu irmão Edinho. Ainda dá tempo de pedir perdão? Então me perdoem, sinceramente. Parei de agir na ignorância quando ouvi alguém dizer numa ‘pelada’ entre os que deveriam ser amigos: “não vou dar medalha para ninguém”. Hoje repito isto quando, uma vez por ano, jogo futebol e, olha que eu sou bom nisso! Talvez seja melhor pelo videogame. Hoje eu não fico ansioso esperando o próximo jogo, nem sequer lembro deles. A minha vida tem mais importância em outras coisas. Não me deixo pautar a existência e propósito de vida por uma partida de futebol.

Conheci alguns irmãos que gostavam de futebol e ainda gostam. Alguns deles deixaram a fé, abandonaram a Cristo e não estão andando mais na luz, isto é, nem sequer freqüentam ao culto. Deixaram de ser fiéis àquele que nos dá tudo, pois até mesmo o mundo sabe que:

“nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração” (At 17:28).

Não é engraçado, mas foram capazes de deixar a igreja por causa dos seus pecados, desavenças e probleminhas, mas nunca deixaram de torcer por seus times que não os beneficia em nada. Veja gente que apanha da própria torcida e ainda continua fiel ao time de futebol. Por que as pessoas não agem assim na igreja quando se sentem ofendidos pelos irmãos?

O Coritiba, por exemplo, foi campeão brasileiro em 1985 e o que eu ganhei com isso? O Brasil já foi pentacampeão e pergunto cinco vezes: “o que eu ganhei com isso?” Os times que tenho simpatia já ganharam ou já perderam e o que eu ganhei ou perdi com isso? quando uma pessoa se mete em confusão ou até perde uma amigo por causa do futebol, eles não deixam de torcer por seus times, mas quando uma pessoa tem problemas e até conflitos com os irmãos é capaz de deixar de Jesus no dia seguinte e ainda saem falando mal da igreja, o corpo de Cristo. Não se engane, deixar de freqüentar a igreja ou deixar de amar um irmão é deixar de ter relacionamento com Deus (1 Jo 1:7; 4:19, 20).

Se o seu time for campeão, você não vai ganhar nada com isso, se ele for rebaixado, por que você não o abandona? Não deixe de Cristo na alegria nem quando sentir rebaixado. Vamos fazer um exercício? Pegue a sua Bíblia ou abra uma passagem no seu aplicativo favorito da Bíblia e complete esta passagem de Romanos 8 abaixo:

“Quem nos separará do amor de Cristo? Será _____________, ou ________, ou ________, ou ________, ou ________, ou ________, ou ________? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, ________________, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a ________, nem a ________, nem os anjos, nem os principados, nem as ________, nem do porvir, nem os poderes, nem a ________, nem a ________, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do ________ de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:35-39).

Olhando ainda para esta passagem acima, comparando com a torcida no futebol, vemos que muitos deixam o Jesus de lado para dar importância ao futebol. Na prática, nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, a não ser nós mesmos.

Vendo tanto a polaridade política no país, escrevi uma frase (Meu candidato é Jesus, meu partido é a igreja) que serve também para as torcidas de futebol. Vou adaptá-la para este artigo:

“Meu técnico é Jesus, meu time é a igreja”

Finalmente preciso te dizer que não é pecado torcer para um time de futebol, mas eu tenho lá minhas dúvidas se não é pecado dar mais importância e fidelidade na prática para o futebol do que para Jesus. Ser exemplo de fidelidade e amor ao clube que nem sequer reparte os dividendos com você do que com a igreja que te abençoa, concorde você ou não. Lembrei do irmão Sérgio Almeida que pregou sobre este assunto um certo domingo. Ele lembrou que tem gente que precisa aprender muito sobre fidelidade com aquela torcida que se diz fiel, pois eles são mesmo. Dificilmente a gente vê uma pessoa mudar de time e cores (nem sequer vestem a camisa do adversário/inimigo), mas facilmente conhecemos muitas pessoas que mudaram da fé, da igreja e se afastaram do pastor.

Eu gosto de futebol, é verdade! Mas

Adoro um Cristo vivo, na terra Ele está.
Eu sei que Ele vive e Ele salvará.
Eu vejo a Sua graça, eu ouço a Sua voz,
É Ele quem me livra da morte atroz.

Eu ‘torço’ por Jesus e sua igreja porque mesmo que eu perca neste mundo, estou ganhando. Tem sido difícil, mas eu vou continuar fiel à igreja de Cristo até o fim, não porque é um lugar bom, pelo contrário, porque me torna um homem melhor. Não porque só tem gente legal, pelo contrário, tendo sido evangelista, só me procuravam ou me visitavam, quando tinham problemas. Vou ser fiel não porque só tenho amigos, pelo contrário, não acredito que eu seja uma unanimidade e que só receba elogios pelas costas, já ouvi algumas críticas e estou pronto para ouvir mais sem tentar desanimar. Vou ser fiel apesar de não conseguirmos trabalhar bem juntos como um time. Vou ser fiel porque sigo a Jesus e Ele me escolheu, junto com você, na mesma equipe, para ser titular… Então, por isso, vou ser fiel e fazer parte deste time campeão que reparte comigo todas as vitórias e derrotas.