Conduzidos Por Cristo em Vitória

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“Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta a fragrância do seu conhecimento em todos os lugares” – 2 Coríntios 2:14

Às vezes, em minhas leituras da Palavra de Deus, vejo tantas e tantas promessas de Deus sobre a realidade de quem é discípulo de Jesus. Palavras fortes como “mais do que vencedores” (Romanos 8:37), já assentados nos lugares celestiais (Efésios 2:6) e este “sempre conduzidos em triunfo”. Porém, olhando minha vida e a vida de tantos cristãos, parece não ser esta a realidade, dadas as dificuldades que existem, os desafios, as quedas, etc.

Conversando com um irmão a respeito deste assunto, ele me ajudou a abrir meus olhos “espirituais” para o que a Bíblia está nos ensinando, tomando como base o texto que abre este artigo. Ao escrever estas palavras, o apóstolo Paulo se encontrava aflito, em conflito com a igreja em Corinto por causa dos pecados daquela e de uma carta que ele tinha enviado com uma repreensão severa (a chamada carta severa), aguardando a chegada de Tito enviado por ele em missão àquela igreja grega.

Assim, percebi que nossa realidade “espiritual” em Jesus independe do que estamos vivendo naquele momento, ela é fixa, imutável, uma vez que firmada na rocha (1 Pedro 2:6) ou na âncora de nossas almas (Hebreus 6:19), o Senhor Jesus. Porém, podemos viver momentos em que até “sentimos” esse triunfo, essa vitória, desde que utilizemos as ferramentas que Deus nos dá, que chamarei do “caminho rumo ao triunfo diário”:

1. Leitura diária e profunda da Palavra de Deus, com reflexão sobre como aplicar na vida e prontidão para arrependimento de qualquer atitude reprovável.

Sim, a Palavra de Deus é lâmpada para o nosso caminho (Salmo 119:105), é através das suas lentes que vemos as realidades espirituais que podem encher nosso coração de esperança (Romanos 15:4). Recentemente, compartilhei nesse espaço minha decepção com as pessoas e como aquilo estava deixando meu coração amargo e triste, até que em minha releitura de Mateus, cheguei ao capítulo 7, versículo 11 e as palavras de Jesus me vieram em socorro, abrindo os meus olhos para a realidade da maldade humana, mostrando-me, porém, também a realidade da bondade de Deus. O resultado foi um coração mais leve e o artigo “Deus é bom!”, publicado recentemente neste portal.
No passado sofria e ficava muito bravo com nossa realidade política, porém, utilizando as lentes da Palavra de Deus, verifiquei que nossos governantes são humanos, portanto, imperfeitos, têm uma delegação de apenas parte do poder de Deus, sendo o Senhor, o único que detém poder absoluto, que Deus não permite que usurpem em demasia o poder dado e que no final todos (inclusive eu), prestaremos contas a Deus do que fizermos e que meu papel como discípulo é viver sendo luz do mundo (Mateus 5:13-16) e intercedendo por todos, em especial, por nossos governantes (1 Timóteo 2:2). Percebem, como a Palavra de Deus abre os olhos para a realidade espiritual e ao termos os olhos abertos podemos usufruir melhor das bênçãos de Deus que nos são dadas todos os dias?

2. Uma vida diária de comunhão com o Senhor através da oração, onde podemos falar ao Senhor, ouvir sua voz e sentir sua presença.

Em Mateus 6:6, nosso Mestre diz: “Mas, ao orar, entre no seu quarto e, fechada a porta, ore ao seu Pai, que está em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará a recompensa.”

Recentemente assiste ao filme “Quarto de Guerra”, um dos melhores filmes evangélicos e, tirados alguns poucos excessos, mostra o quanto os filhos de Deus precisam voltar a ideia do monastério (não aquele religioso), mas precisamos cultivar mais a solitude, isto é, reservarmos tempos grandes para nosso contato com o Pai celestial, como disse, falando a Ele, sentindo sua presença e ouvindo sua voz. De vez em quando, em oração, sinto que Deus está me dizendo: “Valdir, faça tal coisa… exemplos, peça perdão daquela sua atitude, faça aquela visita a fulano, mande aquela mensagem, convide aquele irmão para um tempo”.

Tenho aprendido a obedecer essas vozes que às vezes chegam aos meus ouvidos. Às vezes criticamos os religiosos que dizem “Deus me falou hoje”. Claro, que precisamos coar se aquilo que ouvimos está em acordo com a Palavra de Deus, mas confesso que até hoje, sempre que obedeci a essas vozes vindas depois de um período de agradecimento, confissão e especialmente, quietude, os resultados foram maravilhosos,

Precisamos, irmãos, termos nosso “quarto de guerra”, sito é, um lugar onde podemos ficar a sós com Deus (dai a ideia de Jesus de “fechada a porta”). Ali poderemos abrir o nosso coração, falar de nossa gratidão, chorar nossos lamentos, celebrar as vitórias e passar um tempo quietos, apenas ouvindo a voz do Pai celestial.
Jesus é nosso maior exemplo dessa atitude, com suas madrugadas em que passava em comunhão com o Pai.

3. Comunhão profunda de alma com alguém que também busca o Senhor.

Tiago nos diz: “Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros, para que vocês sejam curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” – 5:16

Conheço irmãos que dizem: “minhas coisas eu confesso somente para Deus e mais ninguém” ou “não existem pessoas confiáveis na minha congregação”.

Concordo que precisamos ser seletivos para quem abrimos nossas almas e admito que somente para Deus abrimos 100% dela (às vezes nem para Ele). Porém, no meio da irmandade sempre há aquele irmão com quem temos mais afinidade e podemos aos poucos ir “arriscando” abrir nossa alma. Particularmente amo todos os meus irmãos em Cristo, tenho até alguns amigos fora do círculo cristão, porém, tenho uns poucos com quem faço questão de dividir minhas cargas, abrir minha alma (eles fazem o mesmo comigo) e juntos, abrirmos nossa vida a Deus.

Não somos perfeitos, temos altos e baixos, inclusive em nossa espiritualidade, às vezes os pecados querem colar em nós (Hebreus 12:1) e nesses momentos, além do tempo precioso com Deus, precisamos ter tempo com irmãos em Cristo. E, sabe, descobri que “transparência gera transparência”. Quando ousamos falar de nosso íntimo com um irmão, acabamos incentivando-o a fazer o mesmo. Assim, podemos incentivar, corrigir, acompanhar, um ao outro e, desta maneira, vamos, como diria Paulo, levando as cargas uns dos outros (Gálatas 6:2).

4. Aproveitar toda e qualquer situação para nos aproximar ainda mais de Deus.

Sim, Paulo diz que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” – Romanos 8:28
Assim, tudo, mas eu digo, TUDO o que acontece conosco, como disse Jesus ao cego de nascença, pode ser oportunidade para que a obra de Deus se realize em nós (João 9:3).

Infelizmente, contaminados pela mensagem errada de certos programas evangélicos (eu evito assistir a maioria), pensamos que Deus só está agindo em nós quando tudo está correndo bem: saúde, finanças, relacionamentos, etc. Por experiência própria, os momentos em que estive em mais contato com Deus, que mais permiti ser transformado por Ele foi em tempos de crises, de lágrimas, enfim, de sofrimento.

Claro que não somos masoquistas, não procuramos o sofrimento, pelo contrário. Assim, vamos celebrar ao Senhor nas conquistas, nas alegrias, no riso. Mas vamos também aproveitar para aproveitar para servir mais ao Senhor nos tempos de refrigério. E no sofrimento, vamos nos alojar nos braços amorosos do Pai.

5. Uma vida de serviço a Deus, sua igreja e ao próximo de uma maneira geral

Jesus disse que “Mais bem-aventurado é dar do que receber” – Atos 20:35
Assim, uma vida vitoriosa e em triunfo é uma vida de serviço. Foi desta maneira que Jesus viveu neste mundo, sempre pronto para estender a mão para curar, para abraçar, para afagar, utilizou seus ouvidos para ouvir, seu tempo com pessoas (muito pouco com coisas).

Em todo o mundo tudo será destruído, menos as pessoas que, ou passarão a eternidade com Deus ou longe de Deus. Por isso Jesus não hesitou em vir a esse mundo morrer, não por coisas, ou mesmo animais, ou plantas (que, claro, tem sua importância). Jesus morreu por pessoas.

Assim, viver em triunfo é viver servindo a pessoas, sem esquecer que a recompensa e o reconhecimento virão, na sua maior parte, dos céus, de Deus, não das pessoas que foram servidas e amadas. Algumas até reconhecerão e agradecerão, porém, serão minoria. O importante é estar disposto a servir.

6. Finalmente, vamos sonhar e ter esperança em Deus.

Diante da morte, Estevão viu os céus abertos e Jesus em pé aguardando o seu discípulo bom e fiel (Atos 7:56).
Neste mundo vamos lutar por certas coisas, como, emprego, ter uma casa, um carro…

Porém, tudo isso um dia passará. Somente Deus e seus valores permanecerão. Vamos sonhar que seremos utilizados por Deus para que muitas pessoas sonhem o sonho que estamos sonhando, isto é, num belo dia, abrirmos os olhos e darmos de cara com Jesus, de braços abertos, nas moradas celestiais, nos recebendo com um sorriso amoroso e cheio de alegria, abrindo os seus lábios e nos dizendo “Muito bom, seja bem-vindo, servo bom e fiel.”

Naquele momento teremos a certeza de que, enfim, a vida valeu a pena, que os pequenos triunfos proporcionados por Deus aqui na terra, foram pequenos diante do trinfo final.

Que Deus abra mais e mais nossos olhos para as realidades espirituais, isto é, em Jesus, somos e seremos, mais, MUITO MAIS QUE VENCEDORES.