Pensamentos Sobre o Natal

Houve uma época em que achava que cristãos não deveriam comemorar o Natal, uma vez que é uma festa com origens pagãs, quando se celebrava o nascimento do Sol ou do deus Mitra. Na realidade, a origem é controversa. Hoje meu pensamento mudou um pouco.

De um lado, em nenhum lugar da Bíblia há a ordenança de comemorarmos o nascimento de Jesus. Porém, olhando o que a Bíblia diz sobre as festas, podemos tirar algumas conclusões que não condenam quem não comemora e também quem não comemora. Sobre a questão de opiniões, leia mais sobre isso abaixo.

No Velho Testamento Deus instituiu uma série de festas que deveriam ser comemoradas pelos judeus: a Páscoa, Pentecostes, Tabernáculos, entre outras, sendo estas as mais importantes.

E, olhando as razões dessas festas serem celebradas, podemos concluir não ser errado comemorar algumas datas nos dias de hoje. Todas as festas judaicas eram memoriais que relembravam os atos salvadores do Todo-Poderoso na vida de seu povo: libertação do Egito, bênção das colheitas e lembranças de como foram sustentados por Deus por 40 anos no deserto, quando habitavam em tendas.

Um judeu poderia comemorar essas festas apenas por comemorar. Para estes, aquela festa nada acrescentaria. Porém, o judeu fiel e temente a Deus se lembraria com alegria a quem pertencia e como o Senhor tinha sido bom na vida de Israel.

Dessa forma as festas seriam marcos, memoriais que falavam de Deus como, por exemplo, as pedras tiradas do meio do Jordão em Josué 6, que também faziam o povo lembrar como Deus abriu o Rio Jordão permitindo a eles mais uma vez atravessar um rio a pés enxutos.

No Novo Testamento a obrigatoriedade dessas festas não existe, o único memorial mantido como mandamento é o que fazemos na ceia do Senhor semanalmente ao relembrarmos a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus.

“E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: ‘Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim’. Semelhantemente, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: ‘Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós’.”  (Lucas 22:19-20)

Se não existem outras festas obrigatórias para lembrarmos, podemos, sim, livremente, aproveitar que o mundo se lembra de Jesus na Páscoa e no Natal e também celebrarmos o nosso Rei dos reis, Jesus Cristo. Não importa se o dia 25 era dia pagão no passado, o importante é o que lembramos hoje. Uma passagem deve ser considerada neste caso:

“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor.” (Efésios 5:15-17)

Nós devemos viver conscientemente com sabedoria. É sábio aproveitar a abertura do povo para falar, comemorar e ouvir sobre Jesus. Então, nós discípulos de Jesus, devemos fazer o que Paulo escreveu acima “aproveitando ao máximo cada oportunidade“. Olha aí a oportunidade batendo à nossa porta e deixando corações e mentes abertos para Jesus. Vamos aproveitar porque as outras datas do ano são de dias pagãos e maus. Sejamos sensatos, vamos fazer a vontade do Senhor que é pregar o evangelho a toda criatura que esteja aberta para lembrar de Jesus. Vamos fazer Jesus nascer nos corações do povo e o ressuscitar em suas consciências. Vamos aproveitar a data das comemorações do nascimento de Jesus (o Natal) para viver Jesus diante das pessoas que estão nos dando oportunidade de mostrar Ele vivo e poderoso para ajudar durante o ano todo. Vamos aproveitar para conscientizar as pessoas, os irmãos e as crianças sobre o verdadeiro significado do Natal.

“Eu [nós os discípulos] sei o sentido do Natal. Na história tem o seu lugar. Cristo veio para nos salvar. Tudo Ele é pra mim…”

E quantos aos presentes? Não devemos cair na loucura consumista do mundo sem Deus, mas, dentro de nossas possibilidades podemos, sim, nos lembrar daqueles que nos abençoaram durante todo o ano e a quem não tivemos tempo de oferecer um presente, o que podemos aproveitar para fazer nesse dia diferenciado. E, novamente, vamos ser sábios e aproveitar ao máximo a oportunidade e vamos dar Jesus de presente de Natal para os nossos conhecidos. Se não formos sábios, mais uma oportunidade vai passar e nós vamos ficar no coro dos ingratos argumentando inutilmente contra o mundo que “o Natal não está na Bíblia”. Mais um ano e lá estará você ‘ranzinzando’ contra o mundo… quando é que você vai sabiamente aproveitar as oportunidades? Já notou como isso ‘escandaliza’ as pessoas e enfraquece nossa mensagem? Por que, ao invés de contrariar, não nos prendemos na mensagem do evangelho e deixamos para lá o que pensam e, simplesmente, aproveitamos a oportunidade.

Agora, se você tem uma opinião diferente, nós não vamos discutir, respeitamos a sua liberdade de opinião também (Rm 14-15:3 – se tem uma outra opinião não deixe de ler). Este artigo tem a intenção de fazer pensar sobre a importância de aproveitar a oportunidade que o mundo está, escancaradamente, nos dando para falar de Jesus começando por seu nascimento. Quando é que vamos ter outra oportunidade tão propícia assim? Nós não oramos para que esse dia chegasse? Aí está! O que vamos fazer?

Não temos a intenção de levantar uma tradição para a igreja ou levantar opiniões. Lembramos que, como dizem para a época do Natal: “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua.” (Romanos 14:17-19)

Bom Natal a todos.

Este artigo foi escrito em colaboração entre Valdir Silva e João Cruz. As nossas opiniões não são a voz da igreja. Reconhecemos na Palavra a voz de Deus para a igreja. Deus nos abençoe para que, assim como quando Jesus nasceu, nós possamos promover “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”. (Lucas 2:14)

Valdir Silva
Sobre Valdir Silva 42 Artigos
Valdir Silva é servo de Deus na cidade de Guarulhos e editor do boletim inter-congregacional Amo Jesus.