Pensamentos sobre a cerimônia de casamento

“Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” – Gênesis 2:24

Tudo o que Deus criou é bom. E o casamento é uma criação de Deus, logo é algo muito bom. Infelizmente, como todo o restante da criação de Deus, o casamento também foi danificado pelo pecado e os resultados são vistos nos dias de hoje, sendo cada vez mais desvalorizado por nosso mundo.

Há uma magia quando um homem e uma mulher (o único tipo de casamento reconhecido por Deus) decidem entrar no plano original do Senhor de viverem juntos até a morte. Em todas as civilizações algum tipo de celebração era feita e nós, fortemente influenciados pelo judaísmo, precisamos não cair nos extremos, nem na informalidade ou formalidade excessivas.

Quando um homem e uma mulher decidem viver juntos, não é somente cada um sair de suas casas e passarem a “morar juntos”, não obstante hoje em dia legalmente a união estável ser considerada quase um casamento.

Assim, como pessoas que obedecem as leis do Estado (Romanos 13), o cristão fiel deve obedecer a maneira do Estado dar legitimidade ao casamento. Logo, ao contrário do extremismo religioso do século passado, o casamento civil é, sim, válido aos olhos de Deus.

E a cerimônia religiosa? É necessária? No judaísmo, na época de Jesus, uma grande festa, que durava dias, era realizada. É obrigatória hoje? Entendo que não. O importante é a firme decisão do casal em permanecer junto por toda a vida e dar publicidade desse objetivo através do casamento civil. Porém, utilizando o princípio de que a Palavra de Deus e a oração santificam (1 Timóteo 4:4-5), e muito do que fazemos (um aniversário, uma apresentação das crianças na igreja, entre outros) seguimos de orações, é aconselhável que o casal realize uma cerimônia, dentro de suas possibilidades financeiras, seja na casa de um dos noivos, com a presença de amigos mais íntimos e familiares, seja num salão alugado ou no prédio da igreja. O importante é que alguém dirija algumas palavras de incentivo, que orações sejam feitas e que os noivos, diante de Deus, proclamem seu desejo firme de fazer parte do plano que o Senhor tinha quando criou o casamento.

O dia de casamento é dia de celebração, não é um culto no sentido formal que conhecemos, logo, nada impede que haja músicas, comes e bebes, tudo em um senso de gratidão a Deus pela nova família que surge.

Finalmente, para nós, que fazemos parte da família de Deus, para Jesus mais importante até mesmo que nossa família carnal (Marcos 3:34-35), creio ser interessante mostrar ao mundo essa visão de Cristo sobre a família dele. Assim, não importa o lugar, porém, se possível, que a família de Deus possa participar e se alegrar junto com os noivos. Antes de pensar num local público, creio ser cristão pensar onde toda a família cristã local possa ser convidada. Não é bom pensar num lugar onde será necessário fazer distinção entre os irmãos, uma vez que, em Jesus, somos todos especiais para Deus e uns para os outros. Não adianta declarar amor aos irmãos em Cristo e nos momentos em que esse amor deve ser reafirmado mostrar-se serem apenas palavras vazias (1 João 3:18).

No mais, os noivos têm liberdade de escolher a maneira, o formato da cerimônia, as músicas e tudo o mais. Com ordem e decência.

E que o amor de Jesus seja demonstrado numa ocasião tão especial como esta.

Sei de irmãos amados que não concordam com algumas ideias aqui colocadas. No entanto, como diz o título do artigo, são pensamentos sobre a realização de um casamento. Eu já tive o privilégio de dirigir a cerimônia de alguns deles, senti-me honrado com o convite dos noivos. Por este motivo, decidi publicar esses meus pensamentos, tirados de experiências que passei com os noivos e, se, de alguma maneira, ajudar casais e celebrantes, tomando-os como conselhos, que podem ou não serem seguidos, já me darei por satisfeito.

Valdir Silva
Sobre Valdir Silva 61 Artigos
Valdir Silva é servo de Deus na cidade de Guarulhos e editor do boletim inter-congregacional Amo Jesus.