O Cristão e o Governo – Vivendo Como peregrinos

2018 é ano eleitoral. Daqui a 7 meses iremos mais uma vez às urnas, desta vez para escolhermos o futuro Presidente da República, dois senadores, deputado estadual e deputado federal

Fossem outras épocas, neste momento, eu estaria já pesquisando quem são os candidatos e em alguns meses já teria o meu escolhido e tentaria convencer meus amigos e conhecidos a votar neles, bem atento ao assunto.

Sim, procuro informar-me, votarei em alguém (entendo que, como cristãos, devemos evitar o voto nulo), mas o assunto não me desperta mais tanto interesse e muito menos paixão. É praticamente impossível alguém me ver afixar um adesivo de um candidato no meu carro, um banner no meu portão, distribuir folhetos ou fazer “boca de urna” (até porque é ilegal). A razão desta minha mudança se encontra nos textos da Bíblia que seguem, aliado a minha experiência de alguém que desde pequeno (uns 12 anos) muito se interessou pela política:

“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” – João 18:36.

Em primeiro lugar, como cristão, entendo que não mais faço parte deste reino, cujo sistema é governado por Satanás. O próprio sistema político, em especial o brasileiro, é corrupto e qualquer candidato que entrar nele tem que, no mínimo, ser conivente com certas injustiças existentes. Assim devemos nos identificar com nosso Mestre e entender de uma vez por todas que estamos por aqui de passagem e que nossa verdadeira pátria não é aqui.

A Bíblia diz que “o mundo jaz no maligno” (1 João 5:19) e assim não haverá mudança substancial neste mundo, injustiças sempre existirão, minha esperança está em Deus, na Pátria celestial que estou aguardando (Hebreus 11:16) e não neste mundo e seu sistema política.

“Não há um justo, nem um sequer…” – Romanos 3:10b.

A segunda razão é que por mais bem intencionada que seja uma pessoa, é uma pecadora, sujeita a fraquezas, assim, ao escolhermos alguém, jamais escolheremos o melhor, mas, na hipótese mais positiva, “o menos ruim” aos nossos olhos. Os candidatos a Presidente não são tão diferentes como se apresentam, são humanos, contaminados por um germe chamado “pecado”. Desde nossa expulsão do jardim do Éden temos esse problema.

Já me decepcionei muito com seres humanos, hoje quase não permito mais este sentimento. Quando alguém faz algo bom, dou graças a Deus por isso, reconheço, elogio. Porém, quando acontece o contrário, nem me surpreendo mais, o erro, a injustiça, infelizmente, fazem parte da natureza humana e sua carnalidade (Gênesis 6:2).

“Então, Pilatos o advertiu: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? ‘Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada’” João 19:10-11b.

Em terceiro lugar, por pior que seja um governante, ele está sim, mesmo sem querer, debaixo da autoridade do poder que eu chamo de originário, o único poder que de fato existe, o poder de Deus. Desta maneira, devemos, sim, escolher alguém para nos representar, porém, o governante, por mais arrogante que se torne, será controlado por aquele a quem toda autoridade foi dada no céu e na terra (Mateus 28:18). Foi assim com Faraó, com Nabudoconosor, com Herodes, Pilatos, entre tantas autoridades que vemos nas Escrituras. O Senhor até permite que abusem, até para nossa disciplina, mas, quando usurpam, exageram no exercício do poder, o próprio Deus age e corrige. Aconteceu com a Assíria, no Velho Testamento, escolhida para ser a vara de correção de Deus para Israel. Porém, quando se esqueceu de sua condição de serva de Deus, o próprio Deus utilizou outra força da época, os babilônicos, para mostrar quem de fato mandava (Isaías 10:24-25).

Sim, todo o poder é originário de Deus e assim, o governante não irá além dos ditames do Senhor. Ele tem paciência, Ele espera, porém, qualquer autoridade que usurpe o poder, que abuse da autoridade e poder dados pelo próprio Senhor, será devidamente corrigida por Ele, o Poder dos poderes ou, como diz a Bíblia, o Senhor dos senhores. (Apocalipse 17:14)

“Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” Filipenses 3:19.

“Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios.”

Em quarto lugar, Um discípulo de Jesus é um peregrino (1 Pedro 2:11), está aqui de passagem, seus olhos estão fixados em Jesus e na nossa nova morada, que Ele está preparando (João 14:2).

Este mundo será destruído e precisamos dosar a energia, a preocupação, o tempo e o investimento que fazemos nas coisas deste reino. Um dia tudo virará cinzas e, se nossa esperança está aqui, dela também só restarão cinzas.

“Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo…” Mateus 5:13a, 14a.

Finalmente, temos um papel, como filhos de Deus, discípulos de Jesus, de sermos sal da terra e luz do mundo, vivermos procurando ser justos, honestos, pois, desta forma, nosso mundo será menos decaído. E o principal, vamos continuar compartilhando a boa nova, o evangelho de Jesus que, Ele, sim, pode tornar nosso mundo um pouco melhor e, quando for destruído, iremos nós e todos quantos atingirmos para o reino celestial.

Vamos orar pelas escolhas de outubro, orar pelos eleitos (1 Timóteo 2:1-2), porém, sem perder de vista que essa escolha pouco efeito terá sobre nossa eternidade, a verdadeira vida.

Que, enquanto vivermos neste mundo, Deus nos dê olhos espirituais para, como Moisés, vermos o invisível, o eterno, o que Ele verdadeiramente valoriza. (Hebreus 11:27)

Valdir Silva
Sobre Valdir Silva 69 Artigos
Valdir José da Silva é servo de Deus na cidade de Guarulhos e editor do boletim inter-congregacional Amo Jesus. Discípulo de Jesus há quase 30 anos, é servidor público Estadual no Tribunal de Justiça de São Paulo e serve como um dos evangelistas da igreja de Cristo no Bairro dos Pimentas, Guarulhos/SP.