O Canto Que Ensina

“Que a palavra de Cristo habite ricamente em vocês. Instruam e aconselhem-se mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão no coração” – Colossenses 3:16 (NAA)

Quantas vezes já me peguei chorando ao cantar junto com os irmãos? A música tem uma capacidade enorme de produzir em nós fortes emoções. E não há nada de errado em nos emocionarmos quando estamos louvando a Deus através de nossos lábios no culto dominical ou mesmo numa reunião.

Porém, o objetivo principal da música vocal (a maneira que a igreja do primeiro século cantava) não é causar fortes emoções nos participantes, pois o canto não tem como principal objetivo agradar as pessoas.

O canto congregacional primeiro deve primeiro louvar a Deus e ao seu Filho Jesus pela salvação que temos, bem como por sua bondade e amor em nossas vidas. É um sacrifício de louvor, como diz Hebreus 13:15, fruto de lábios que confessam o nome do Senhor.

Assim, mais do que o tom ou a afinação, Deus está interessado na vida do adorador, da mesma maneira como Ele aceitou primeiro Abel e depois seu sacrifício (Gênesis 4:4).

Além de louvarmos a Deus quando cantamos, também ensinamos uns aos outros, conforme menciona o texto que abre este artigo. Através da música vocal as verdades de Deus são ensinadas à igreja. Desta maneira, o canto tem fim doutrinário e parece que na igreja primitiva já era assim, de acordo com o os textos que segue:

“Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, visto pelos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória.” (1 Timóteo 3:16)

“Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseveramos, também, com ele reinaremos; se o negamos, ele, por sua vez, nos negará; se fomos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar a si mesmo” (2 Timóteo 2:11-13).

Provavelmente eram cânticos da igreja do primeiro século que se perderam com o tempo. Assim, antes de nos emocionar com a melodia bonita de um cântico, vamos criteriosamente “julgar seu espírito” (1 João 4:1), isto é, se tem fundamento na Palavra de Deus. Há cânticos que têm origem na Bíblia como, por exemplo: “Glória pra sempre ao Cordeiro de Deus, a Jesus, o Senhor, ao Leão de Judá, à Raiz de Davi, que venceu e o livro abrirá”, extraído do livro de Apocalipse 5:5. Há outros que, mesmo não sendo a reprodução de um texto da Bíblia, apresentam conteúdo que mostram verdades divinas como a “Mensagem da Cruz”: [(…) rude cruz se erigiu, dela o dia fugiu, como emblema de vergonha e dor (…)].

Desta forma, antes de pensarmos em incluir um novo cântico no hinário que utilizamos, é aconselhável passa-lo pela “peneira” das Escrituras Sagradas, além de ouvirmos outros irmãos a respeito. Pois através desse novo cântico vamos ensinar à igreja e não queremos ensinar falsa doutrina.

Para finalizar, noto um crescente interesse nas igrejas de Jesus de acrescentarem novos cânticos ao seu hinário, boa parte deles vindos do mundo evangélico.

Não tenho nada contra isso, porém, precisamos sempre verificar sua mensagem, pois já fiquei emocionado com canções que, depois de analisá-las à luz das Escrituras, deixei de cantar.

O povo de Deus é sábio, equilibrado. Está aberto, sim, a novas canções através das quais possa exaltar e louvar o seu Senhor. Porém, sempre com sabedoria e, especialmente, amor às verdades de Deus.

Valdir Silva
Sobre Valdir Silva 69 Artigos
Valdir José da Silva é servo de Deus na cidade de Guarulhos e editor do boletim inter-congregacional Amo Jesus. Discípulo de Jesus há quase 30 anos, é servidor público Estadual no Tribunal de Justiça de São Paulo e serve como um dos evangelistas da igreja de Cristo no Bairro dos Pimentas, Guarulhos/SP.