Boas Obras Não Salvam

Um só homem transformou o seu país e o encheu de orgulho. Ele “pegou uma nação destruída. Recuperou a economia e deu orgulho ao seu povo. Em seus 4 primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões de pessoas para 900 mil. Este homem fez o produto interno bruto crescer 102% e a renda per capta dobrar. Aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para 5 bilhões de Marcos e reduziu uma hiper-inflação a no máximo 25% ao ano. Este homem adorava música e pintura e quando jovem imaginava seguir a carreira artística. É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade”*. Seu nome era Adolf Hitler. Em nome de um ideal nacionalista, justificando ser o melhor para o seu povo, ele foi o responsável pela morte de milhões de pessoas. Os defendem até hoje dizem que não encontraram nenhum documento assinado por ele, mesmo que ele nunca tivesse visitado um campo de concentração, a história prova o que aconteceu e quem foi o responsável por tantas atrocidades. O seus muitos pecados eram justificado por fazer boas obras para o povo alemão.

Numa escola menor, é claro, não nos comportamos muito diferente hoje em dia para justificar nosso comportamento humano em relação ao pecado. Traficantes distribuem cestas básicas ao povo, distribuí a um custo baixo TV à cabo, gás e fazem justiça onde o poder público não chega. Pessoas com comportamento sexual reprovável são gentis com os idosos, gostam de arte e defendem causas sociais para justificarem suas atitudes e continuarem no pecado. Ganham a simpatia inclusive de pessoas religiosas para serem aceitos.

A questão é, boas obras não salvam e muito menos justificam. Mais vale apenas uma boa obra por ano de acordo com a vontade de Deus e com santidade do que uma vida imoral cheia de boas obras. Pessoas que depositam suas crenças em espiritismo e idolatria sustentam orfanatos, asilos e instituições filantrópicas, mas diante de Deus não tem valor porque fazer o bem é a natureza humana, isto é, fomos criados para fazer o bem, fazer o mal é que é contrário ao plano divino da criação.

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos.” – Efésios‬ ‭2:8-10‬

Agora, mais uma consideração necessária: entendemos bem pela passagem acima que boas obras não salvam porque não foi por obras, mas sim por fé e graça que Cristo nos salvou. No entanto não fazer boas obras também não nos justificam, afinal, como ensina a passagem acima “somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras”. Devemos buscar fazer o bem, sem perguntar a quem.

“Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Mas alguém dirá: “Você tem fé; eu tenho obras”. Mostre-me a sua fé sem obras, e eu mostrarei a minha fé pelas obras.” – Tiago‬ ‭2:17-18‬

Fé e obras devem andar juntas. É claro que a igreja não é uma instituição filantrópica ou assistencial, mas a fé somente se evidencia pelas obras. O mundo precisa das nossas boas obras para crer que Jesus é o filho de Deus. O que adianta dizer para alguém “vá com Deus” sem mostrar, na prática, através de boas obras, o amor de Deus que dizemos ter?

Jesus é o nosso exemplo e Ele fazia boas obras para abrir os corações para Deus.

“Se eu não realizo as obras do meu Pai, não creiam em mim. Mas, se as realizo, mesmo que não creiam em mim, creiam nas obras, para que possam saber e entender que o Pai está em mim, e eu no Pai.” – João‬ ‭10:37-38‬

A igreja deve, sim, fazer boas obras não porque as pessoas merecem, mas sim porque precisam. Precisam de boas obras para suprirem suas necessidades e para abrirem olhos, mentes e corações para o Senhor que as ama através de nós. Boas obras não salvam, mas sem boas obras não seremos salvos. Fé e obras andam juntas.

“Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade, não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade.” – 1 João 3:17, 18

* Texto de uma propaganda do jornal Folha de São Paulo